Muitas pessoas sentem desconforto quando conhecem gente nova, têm que expor o que pensam, fazer alguma reivindicação ou falar em público. Isso acontece pelo medo de cometer erros e falar besteira, principalmente na presença de pessoas com as quais não têm convivência e intimidade. Elas travam. Até ensaiam mentalmente o que vão falar, mas a falta de confiança - em si mesmas e nos outros - faz com que elas fiquem caladas, se isolem e passem uma imagem equivocada de que são arrogantes e esnobes. A vergonha está ligada ao medo de julgamento, de exposição e de serem rejeitadas. Pessoas que sentem isso costumam ser inseguras, têm baixa autoestima, consideram-se desprovidas de qualidades e apresentam enormes dificuldades de lidar com um eventual fracasso. Desejam ser reconhecidas, mas o receio de que não sejam suficientemente interessantes para merecer a atenção e a aprovação de alguém faz com que silenciem. Acreditam que os outros são “muito”, enquanto elas são “pouco” e, portanto, não possuidoras das virtudes que imaginam que os outros desejariam que elas tivessem. As pessoas “envergonhadas” vivem uma situação paradoxal: não querem ser notadas, pois isso é ameaçador para elas, mas desejam ser notadas e reconhecidas. Nessa luta de conflitos internos, o medo de exposição e rejeição pelos outros quase sempre vence. Costumam evitar as possibilidades de interação e inclusão de outras pessoas nas suas vidas. Ficam na defensiva, não correm risco e, assim, tendem à acomodação e ao quase imobilismo. Permitem que a vida passe, sem que possibilidades sejam avaliadas e mudanças ocorram. Características de personalidade, fatores ambientais e a forma como foram criadas fazem com que essas pessoas reajam dessa maneira. Esse último fator terá influência fundamental no comportamento delas ao longo de toda a vida. A família é referência primária de amor e aceitação e, por isso, é o melhor lugar para se tentar qualquer coisa e se não conseguir, ser mais facilmente acolhida e incentivada a não desistir. Quando a vergonha e o medo de falar em público ficam intensos, o cérebro pode interpretar a situação como um risco social, aí o corpo reage para se proteger. O coração fica acelerado, a voz trêmula, o suor aumenta. O medo de errar ou de esquecer o que iria falar intensifica a sensação de estar sendo julgada e parecendo ridícula. O medo de falar em público é mais comum do que se pensa. A consagrada atriz Fernanda Montenegro já comentou em entrevista que sente medo, tensão e frio na barriga antes de entrar em cena, mesmo depois de décadas de carreira. A experiência reduz o descontrole, mas não elimina a emoção. Nós não somos o centro das atenções e é impossível prevermos ou controlarmos pensamentos e ações de outra pessoa, assim como os efeitos das ações originadas por nós. O medo não significa incapacidade e nem impossibilidade, mas quando isso causa muito sofrimento, procure ajuda psicológica. Zildinha Sequeira é psicoterapeuta individual e familiar